ELEIÇÕES | Brasileiros acima dos 70 anos estão deixando de votar

Imprensa

Por Ricardo Flaitt (Imprensa Sindnapi) – Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, nas últimas eleições, o segmento dos cidadãos com 70 anos ou mais, sem obrigatoriedade de exercer o direito ao voto, representou 6,9 milhões de abstenções. ***Assista à reportagem do Jornal dos Aposentados, produzida por Anderson Campos e Jaime Alves sobre esta matéria, clicando no link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=-vsQpEAM7dk

O mapa de abstenção no Brasil aponta o seguinte cenário: Rio Grande do Sul (59%), Rio Grande do Norte (57%), Mato Grosso do Sul (58%), Acre (57%), Goiás (55%), Piauí (54%), Alagoas (52%) e Sergipe (51%).

Há ainda casos extremos, como 70% no Amazonas e 71% no Pará. Índices menores somente nos estados de Roraima (38%), Amapá (31%) e o Distrito Federal (33%).

Se por um lado os idosos acima de 70 estão deixando de votar, o número de eleitores deste segmento vem crescendo. Conforme dados do TSE, em 1992, eles representavam 4,5% eleitores; em 1998, 5,7%; em 2002, 5,8%; em 2008, 6,4%; em 2013, 7,3%; e a projeção para as eleições deste ano é de 8,2%.

O aposentado Gabriel Diniz é um dos milhões de brasileiros acima dos 70 que não tem mais interesse em votar. “Hoje, na situação que se encontra o nosso país e os políticos, não pretendo mais votar”, ressaltou.

60+ TAMBÉM AUSENTES

Quando ampliada a análise, englobando a abstenção a partir dos idosos com 60 anos ou mais, o número de cidadãos que deixaram de salta de 6,9 para 15,2 milhões, equivalente a 21,2% do eleitorado geral no Brasil, percentual capaz de influenciar e até mesmo definir representantes em todas as esferas políticas.

DESAFIO

Os números apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral preocupam os representantes do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, que consideram importante a participação da população idosa nas votações para definir os representantes nas câmaras municipais, prefeituras, assembleias estaduais, Congresso Nacional e na presidência do país.

Para Marcos Bulgarelli, presidente do Sindicato dos Aposentados, “Temos a compreensão que as pessoas estão descrentes, porém, o principal meio para avançar em conquistas por uma vida mais digna na Terceira Idade se dá pela escolha de representantes políticos que defendam os interesses dos idosos. Se a pessoa deixa de votar, abre espaço para que sejam eleitos políticos que não incluam os idosos em seus programas de governo”.

Para conscientizar sobre os efeitos negativos da abstenção de votos dos idosos, o Sindicato Nacional dos Aposentados lançará uma campanha, em agosto, visando estimular a população idosa a comparecer às urnas nas eleições em outubro e também a escolher candidatos comprometidos com as causas dos aposentados, pensionistas e idosos, que necessitam de políticas específicas.