CUSTO DE VIDA | Aumento de 10% nos planos de saúde individuais pesa no orçamento dos aposentados

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Por Ricardo Flaitt (Imprensa Sindnapi) - A Agência Nacional de Saúde (ANS) anunciou reajuste de 10% nos planos de saúde individuais. O aumento impacta significativamente no orçamento dos aposentados e pensionistas amparados em planos, já que cerca de 70% dos beneficiários ligados ao INSS recebem um salário mínimo (R$ 954,00). Vale considerar que, na média geral, o valor das aposentadorias no Brasil é de R$ 1.300,00.

Assista à reportagem do Jornal do Aposentado: https://www.youtube.com/watch?v=LwI13eZsoBk 


O reajuste dos planos em 10% está muito acima da inflação de 3,7% acumulada nos últimos 12 meses, conforme indica o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Os 10% autorizados pela ANS aos planos de saúde em comparação aos reajustes concedidos de 1,81% sobre o salário mínimo e 2,07% para quem recebe aposentadoria acima do piso nacional, representa uma corrosão do poder aquisitivo dos aposentados. “Isso representa uma perda de 8% no benefício de quem tem plano de saúde”, destacou Marcos Bulgarelli”, presidente do Sindicato dos Aposentados.

O Sindicato defende uma política de recomposição do poder de compra dos aposentados e pensionistas que, gradativamente, têm sua qualidade de vida achatada frente aos reajustes desproporcionais à sua renda. “Os aumentos dos serviços não poderiam ser maiores que os índices aplicados aos benefícios dos aposentados”, destacou Luiz Alberto Catanoce, representante na Câmara Consultiva da ANS, médico e diretor do Sindnapi.

Os atendimentos realizados pelo Sindicato registram aumento significativo nos números de casos de pessoas que deixaram de pagar o plano de saúde porque não conseguiam mais arcar com as parcelas. Claudia Helena Moreira, 54 anos, é mais um caso de beneficiário brasileiro, que se viu obrigada a deixar o plano, uma vez que “chegou em um patamar em que eu não tinha mais condições de pagar. Praticamente dobrou o valor, então, diante disso, tive que priorizar itens de primeira necessidade”, destacou.

Os reajustes também estão dificultando um segmento de aposentados, os que ainda possuem planos de saúde individuais e resistem bravamente para mantê-los. “Mesmo com os reajustes estamos segurando o plano, pois, na nossa idade, saúde é fundamental, mas é desumano o que estão fazendo. Para ficar com o plano nos vemos obrigados a tirar essa diferença de outros itens da casa”, relata o casal Elias e Silvia Tarran.

Para Marcos Bulgarelli, presidente do Sindicato dos Aposentados, “reajustes nesta ordem contribuem para achatar ainda mais a qualidade de vida dos milhões de aposentados, que já convivem muitas dificuldades para fechar as contas do mês e assegurar uma vida digna”, ressaltou.