POSIÇÃO | Governo poderá votar Reforma da Previdência após as eleições

Opinião

Por Marcos Bulgarelli - Engana-se quem pensa que a proposta do atual governo em reformar a Previdência foi enterrada. Em realidade, ainda que suspensa devido à intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro, fato é que o tema poderá voltar à pauta do Congresso Nacional após as eleições.

No ambiente político, o aleatório praticamente inexiste. O recuo na tentativa de reformar a previdência derivou-se a partir da pressão dos resultados das pesquisas, as quais demonstraram uma rejeição enorme da população sobre a Reforma. Segundo publicação de julho de 2017, do Datafolha, 71% dos brasileiros posicionaram-se contra alterações na Previdência.

Diante de números negativos tão expressivos, qual candidato defenderia publicamente ser favorável ao projeto? E qual político, concorrendo à reeleição, marcaria sua posição contrária sobre o tema no período anterior às eleições?

Porém, após a definição dos representantes no Congresso, aqueles que não conseguirem se reeleger, ainda terão de cumprir o mandato até o final de 2018 e não sentirão mais a pressão popular, facilitando o caminho para um voto a favor da Reforma.

Para os reeleitos, garantidos para o próximo mandato, também terão caminho mais tranquilo por um voto a favor alteração nas regras previdenciária.

Fato é que, em ambos os casos, com as eleições consolidadas, os políticos terão pouco a perder. Nessa temerária dinâmica política, a Reforma da Previdência ganharia força para ser aprovada.

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos compreende que são necessários ajustes no sistema previdenciário, uma vez que a expectativa de vida aumenta e as taxas de fecundidade diminuem. No entanto, o Sindicato é contrário à proposta apresentada pelo governo, que mantém setores da sociedade de fora das novas regras, preservando uma casta de privilegiados, que recebem aposentadorias acima do teto.

A discussão é muito mais ampla e complexa, pois há que se convergir questões importantes como a política de desonerações, as superaposentadorias, taxação das grandes fortunas, formas de custeio, cobrança dos inadimplentes, dentre outros.

A Previdência Social é o maior instrumento de amparo aos cidadãos e não pode ser alterada de forma arbitrária, sem que haja um amplo debate, com diversos segmentos da sociedade brasileira.

A pergunta que paira é: impor uma Reforma, sem amplo consenso social, realizada às pressas, interessa a quem?

Marcos Bulgarelli é presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos.